Campanha arrecada doações para ajudar jovem rosariense de 24 anos que está com câncer de mama
A advogada Karina Paula Faustino está realizando uma campanha em uma rede social para arrecadar alimentos, remédios, roupas e dinheiro para ajudar a jovem Adelaide Antônia da Silva, de 24 anos, que há três meses descobriu que tem câncer de mama. Uma das prioridades da campanha é conseguir uma vaga no Hospital do Câncer, em Cuiabá, para que a jovem seja tratada adequadamente.
Com a campanha, Karina e a pedagoga Ednalva Nunes Pereira Muller conseguiram que a jovem fosse internada no Hospital Amparo, em Rosário Oeste, na quinta-feira (12), onde está sendo acompanhada por médicos e enfermeiros.
Karina contou que, atualmente o seio direito da jovem está do tamanho de uma bola de vôlei, além de estar coberto por feridas e em processo de necrose. Uma das preocupações da advogada é com uma das infecções que já alcançou a axila de Adelaide.
“Ela está em carne viva, está literalmente apodrecendo. Não consigo dormir desde que a vi, o marido dela me contou que um dos dias em que não tinham gaze para fazer o curativo. Ele precisou cortar um pedaço de lençol para fazer”, contou.
Segundo a advogada a família precisa de qualquer tipo de doação. Na quinta-feira (12), carne, leite e frutas foram doados para a jovem. Além disso, a campanha já conseguiu arrecadar R$ 500 para custear os exames, que foram orçados em aproximadamente R$ 3,3 mil.
“A maior dificuldade é regularizar os exames dela. Ela precisa de três tomografias. Quando procurei o Hospital do Câncer, me disseram que o caso dela precisa de quimioterapia, mas e os cuidados paliativos para tratar as feridas?”, questionou.
Karina Paula Faustino fez apelo em rede social por ajuda à jovem com câncer (Foto: Facebook/ Reprodução)
Ednalva contou que a jovem tomava apenas analgésico e, quando as dores se tornavam insuportáveis, o marido a levava de moto até o hospital, onde aplicavam uma injeção e a mandavam de volta para casa.
“A vi tomando banho no hospital, como sou mulher é muito difícil vê-la com o seio naquela situação. Ela sente muita dor. Eu acho, inclusive, que ela corre perigo de ter uma infecção generalizada e morrer”, disse.
Diagnóstico
Jovelino precisou deixar o emprego de pedreiro para conseguir cuidar de Adelaide e do filho, quando a mulher passou a sentir as dores que, de acordo com ele, são insuportáveis. Ele contou ao G1 que um caroço apareceu no seio da jovem, em agosto.
“Fomos ao médico, mas ele achou que era leite empedrado e voltamos para casa. Desde então as dores são insuportáveis. A gente ia para o hospital, mas quando chegávamos, o médico se recusava a interná-la”, lembrou.
Há oito meses, Jovelino está desempregado e a família depende de doações para conseguir sobreviver. Segundo ele, a mulher não pode ficar em casa, pois não consegue mais lidar com as fortes dores que sente.
Karina contou que conheceu a jovem na semana passada, enquanto aguardava por uma consulta no mesmo hospital que Adelaide está internada.
“Eu a vi lá [no hospital], mas não sabia quem era. O marido dela me procurou no escritório de advocacia para saber se a mulher tinha direito a algo. Não estou cobrando nada deles”, disse.
Segundo Karina, Adelaide e o marido percorreram por vários órgãos públicos e hospitais para pedir ajuda para tratar o câncer de mama. A jovem realizou apenas uma sessão de quimioterapia em Sinop, a 503 km de Cuiabá, mas não teve condições de viajar novamente para o município.
“Ela procurou a assistência do município para ir na segunda sessão, mas foi negada. Eles marcaram uma consulta para ela no Hospital do Câncer, mas o médico disse que seria humanamente impossível tratá-la sem que ela regularizasse seus exames”, explicou.
Assim que a jovem retornou para a casa, seu seio começou a necrosar. De acordo com Karina, todo esse tempo que esteve sem atendimento médico, Adelaide “agonizava” de dor, o que piorava com a falta de produtos e remédios para os curativos.
Outubro rosa
Karina e Ednalva ressaltaram o simbolismo do descaso com o câncer de mama da jovem, no mês de prevenção conta a doença. “Estamos no outubro rosa e todo mundo vai deixar essa menina apodrecer viva?”, disse a advogada.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Silva (Inca), dos 710 diagnósticos de câncer de mama em Mato Grosso, 220 atingirão mulheres em Cuiabá. No Brasil, serão 58 mil novos casos por ano.
Segundo o instituto, nas fases iniciais o câncer pode ser percebido pela presença de caroços, pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja, alterações no mamilo, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço ou saída de líquido anormal dos seios.
Os nódulos nas mamas costumam ser a principal manifestação da doença. Em 90% dos casos, o câncer de mama é percebido pela própria mulher. A percepção do próprio corpo pela mulher, que significa conhecer o que é normal ou não nele, é fundamental para a detecção precoce da doença.
A orientação do Inca é que a mulher faça a autopalpação das mamas diariamente, sem necessidade de uma técnica específica de autoexame, em um determinado período do mês. A doença também pode ser detectada por meio da mamografia.
A recomendação é que mulheres em 50 e 69 anos façam uma mamografia a cada dois anos.
