Se PSDB apoiar de imediato, vira sublegenda e desaparece
Deputado Wilson Santos critica decisão do partido em dar apoio a pautas de Jair Bolsonaro
O deputado estadual Wilson Santos, uma das principais lideranças do PSDB em Mato Grosso, criticou o anúncio do deputado federal Nilson Leitão de que os tucanos irão apoiar todas as propostas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) que coincidam com a agenda da sigla.
Para Wilson, a sigla ainda precisa fazer uma autocrítica para encontrar as razões de ter saído “pequeno” das eleições de 2018.
No cenário nacional, o partido não conseguiu levar Geral Alckmin ao segundo turno. Por aqui, o governador Pedro Taques, filiado ao partido, não foi reeleito. Além disso, somente dois dos quatro tucanos forem reeleitos na Assembleia Legislativa.
“É muito cedo. O partido não fez nem uma autocrítica, não reconheceu nossos erros publicamente. Muito cedo. Tenho medo de o partido tornar-se uma sublegenda e desaparecer”, disse Wilson ao MidiaNews.
“O que o partido precisa fazer é uma reflexão. Uma avaliação, demorada, profunda, dos erros que cometemos. E definir a refundação. Se o partido for se entregar a qualquer governo de imediato, vai virar uma sublegenda e vai desaparecer”, afirmou.
Para Wilson, em Mato Grosso o PSDB se tornou um partido "nanico". Ele cobrou dos dirigentes, como o atual presidente Paulo Borges e até de Leitão, um encontro para uma análise.
“O partido precisa se reunir. Quem não reúne, desune. O partido precisa se reunir, é isso que está faltando ao PSDB. Reunir, conversar, dialogar, fazer como Dante de Oliveira fazia com o partido”, disse.
“Eu não fui chamado para reunião nenhuma, discussão nenhuma e já vai anunciando apoio”, completou.
A decisão
O deputado federal Nilson Leitão, líder do PSDB na Câmara Federal, foi o porta-voz do partido na entrevista realizada após a bancada tucana se encontrar com o presidente eleito Jair Bolsonaro, na quarta-feira (5), em Brasília.
Segundo o deputado – que não conseguiu se eleger senador em outubro -, o novo governo terá o apoio para todas suas propostas que coincidirem com a agenda tucana.
“Reforma tributária, reforma da Previdência, pacto federativo, redução da máquina pública são temas que foram debatidos, e é isso que ele deseja”, disse Leitão.
Conforme o tucano, Bolsonaro pediu ajuda do PSDB para governar. “Ele quer ajuda da bancada tucana naquilo que nos conforta em colaborar”.
