SINOP: BR-163 é bloqueada e pneus queimados para cobrar verbas da saúde
Com pouco mais de uma hora de duração, cerca de 150 pessoas participaram do bloqueio na BR-163, em frente à escola Nossa Senhora da Glória, no bairro Alto da Glória, em Sinop, na tarde desta terça (3). A manifestação teve como objetivo chamar a atenção para que o governo do Estado quite as dívidas com a Fundação Comunitária de Sinop, que administra o Hospital Regional da cidade.
Os manifestantes atearam fogo em pneus que foram colocados na rodovia. O congestionamento registrado na pista foi de 1,5 km sentido norte e 2 km na pista sul. A informação foi confirmada pela assessoria da Concessionária Rota do Oeste.
Os representantes das entidades, vereadores, prefeitos da região norte e representantes do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Teles Pires, definiram pelo bloqueio após o anúncio na quarta passada (27), da paralisação das internações de emergências, até mesmo as encaminhadas pelo Corpo de Bombeiros.
Conforme a direção da Fundação, o montante acumulado dos últimos três meses chega a R$ 10 milhões, além dos valores de fevereiro de 2016 a julho deste ano, que somam R$ 17 milhões. O diretor Eler Paulinelli Chaves alega que foram feitas várias negociações com o governo para que fosse apresentada uma resposta, mas até o momento não houve êxito. “Infelizmente está nesse ponto”, pontua.
A enfermeira Lucélia Rosa da Cruz, que trabalha na unidade, afirma que os salários estão atrasados há pelo menos dois meses, e também confirma ao que não existe a possibilidade de atender nem os pacientes que já estão internados no hospital, pela falta de materiais e medicamentos. Ela assegura que se o problema não for resolvido uma greve deve ser definida. “Estamos vivendo uma verdadeira calamidade pública”.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES), emitiu nota nesta terça (3), e justificou que a competência de agosto no valor de R$ 4,4 milhões está sendo empenhada para pagamento. O repasse ainda não foi liberado pois havia pendênciasde regularidade fiscal. A SES alega que os pagamentos referentes a 2017 estão feitos até julho.
A pasta orientou que os casos mais graves, como fraturas expostas e esfaqueamentos por exemplo, devem ser atendidos no Hospital Regional e, nos casos eletivos, até que a situação esteja normalizada, os pacientes devem passar pela Upa, e em seguida sejam encaminhados aos hospitais regionais de Sorriso ou Colíder.
No entanto, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Klement, aponta em entrevista ao que há um aumento excessivo no pronto atendimento, mas que a população tem se empenhado e os casos considerados menos graves caíram nos últimos cinco dias. Contudo o município tem gastado com transporte de pacientes, compra de remédios e exames particulares. “É ridículo o que está acontecendo. O atendimento não pode ficar parado”.
8 municípios
Além de Sinop, representantes de outros municípios como Sorriso, Feliz Natal, Vera, Colíder, Matupá, Cláudia e União do Sul estiveram presentes na manifestação. A prefeita de Sinop, Rosana Martinelli (PR), explica que a movimentação é necessária para alertar o governador sobre o que o Norte do Estado enfrenta em relação à saúde. Ela assegura que a população corre risco de vida sem os atendimentos. “Para que pague os hospitais, não só Sinop, mas Sorriso e Colíder”.
O vereador por Sorriso Bruno Delgado (PMB), relata que a cidade em que mora também passou pela mesmo situação há alguns meses e que após um protesto, a população foi contemplada com uma resposta positiva. “Vemos Sinop passando por um processo parecido. Nós estamos junto para apoiar o movimento, visto que a saúde está um caos”.
Segundo o parlamentar, o Regional de Sorriso já possui uma dívida de R$ 10 milhões, mas não há previsão de paralisação pelos funcionários.
Entenda
Na quarta passada (27), a direção do Hospital Regional anunciou a paralisação das internações e informou que passaria a receber apenas casos com risco de vida como baleados, esfaqueados ou fraturas expostas.
Apenas 35% da capacidade total da unidade em Sinop está em operação. Ao todo, o Regional possui 153 leitos, mas 55 estão ocupados. A ala da pediatria está fechada e sem nenhum paciente devido à falta repasses do Governo do Estado para a compra de medicamentos e também para a manutenção da unidade.
Na quinta (28), a administração do hospital encaminhou um ofício ao comandante do 4º batalhão do Corpo de Bombeiros, Roni Robson Cruz Barros, para informar sobre a paralisação. O secretário estadual de Saúde, Luiz Soares, bem como o Ministério Público Estadual (MPE), o Tribunal de Justiça e o Conselho Regional de Medicina (CRM) também foram oficializados.
