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ATENTADO A DEMOCRACIA: Sindicalista é acusado de ameaçar jornalista em protesto na AL



A jornalista Erika Oliveira, do site Olhar Direto, foi agredida verbalmente e ameaçada pelo sindicalista Antônio Wagner, na noite desta terça-feira (22), no calor das discussões na Assembleia Legislativa envolvendo o "pacotão" de reforma administrativa proposto por Mauro Mendes (DEM). O sindicalista é um dos líderes do movimento que ocupa o plenário do parlamento estadual desde ontem.

Segundo as informações, a exaltação do sindicalista ocorreu porque ele entendeu que o veículo em que a profissional trabalha “prejudicou” a causa dos funcionários públicos. Ele atribuiu ao site em que a jornalista trabalha a divulgação de um vídeo em que ele afirma que os servidores deveriam até “defecar” na Assembleia, o que não ocorreu. 

Até o momento, nenhum parlamentar se posicionou sobre a agressão verbal nos corredores da Assembleia. O mesmo aconteceu por parte dos demais líderes do movimento dos servidores. 

Quem saiu em defesa de Erika foram somente colegas e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor), que divulgou nota de repúdio à atitude de Antonio Wagner e em solidariedade à legitimidade do trabalho de Erika Oliveira, à parte qualquer percepção, verdadeira ou fantasiosa, de direcionamento editorial do veículo em questão. “Com isso, o Sindicato afirma sua defesa intransigente quanto ao respeito que cada trabalhadora e trabalhador do jornalismo merece no exercício de sua função”, diz trecho de nota de repúdio do Sindjor.

Os representantes da categoria de jornalistas lembraram o básico em qualquer democracia: a jornalista trabalha de acordo com o dever de relatar fatos e não cuida ou tem poder algum sobre o direcionamento editorial ou alinhamento político feito a partir deles, seja contra ou a favor de qualquer que seja o interesse. “Reforçamos a importância da luta de servidoras e servidores públicos na defesa de seus direitos sociais, que nesta terça e quarta (23) se converte na histórica ocupação do plenário de votações da Assembleia Legislativa. Esperamos que o sr. Antonio Wagner reveja urgentemente sua postura diante dos profissionais da imprensa para essa relação se manter sempre nos marcos da cordialidade”, finaliza a nota.

HISTÓRICO

Antonio Wagner é, inclusive, conhecido por destemperos públicos, como em outra ocasião, quando se envolveu em confusão com uma segurança do Banco do Brasil e teria xingado até mesmo policiais militares. Segundo os boletins de ocorrência registrados em novembro de 2017 e divulgados em matérias nos sites de notícias, o sindicalista ameaçou uma segurança do banco porque a porta giratória detectora de metais travou, o prendeu e a profissional o orientou a depositar o celular no compartimento devido

Ele obedeceu, voltou e a porta travou novamente, levando-o a perder o controle e iniciar a "ofensas morais e xingamentos", segundo alegado pela trabalhadora, que chamou a Polícia Militar. À presença dos policiais que atenderam a chamada, Wagner teria afirmado que a instituição não merecia respeito, "pois os policiais são assassinos e ladrões”.

Antes de ser preso, Wagner teria ido às vias de fato com outro cliente do banco, que tentara defender a segurança, após empurrá-lo. O advogado e funcionário público não voltava a si mesmo após a chegada da PM e seguia direcionando sua raiva à segurança. Acabou algemado e preso naquela ocasião.

NOTA PÚBLICA - EM DEFESA DA JORNALISTA ERIKA OLIVEIRA

O Sindicato d@s Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor MT) se manifesta em defesa da jornalista Erika Oliveira, que ontem (terça-feira, 22) foi agredida verbalmente pelo advogado e sindicalista Antonio Wagner.

Erika, repórter do site Olhar Direto, apurava na sede da Assembleia Legislativa, em Cuiabá, informações em relação às negociações entre os Servidores Públicos do Executivo Estadual e o Legislativo sobre o pacote de projetos de lei do governo Mauro Mendes, que prejudica o funcionalismo, quando foi abordada pelo sindicalista e acusada, sem mais nem menos, perante colegas de trabalho, de ter veiculado na semana anterior um conteúdo que o havia desagradado. Ou seja, um ataque totalmente injustificado, que merece nosso mais veemente repúdio.

Com isso, o Sindicato afirma sua defesa intransigente quanto ao respeito que cada trabalhadora e trabalhador do jornalismo merece no exercício de sua função. 

O Sindjor MT sabe dos jogos de poder que envolvem e orientam a condução da maioria das empresas de comunicação do estado, sobretudo das que constituem o oligopólio do setor, desinformando a população e tentando manchar a imagem do serviço público, de servidoras e servidores. Contudo sabe, também, diferenciar a condição de quem é trabalhadora/trabalhador de quem tem no jornalismo apenas um nicho empresarial de mercado e poder.

Por fim, reforçamos a importância da luta de servidoras e servidores públicos na defesa de seus direitos sociais, que nesta terça e quarta (23) se converte na histórica ocupação do plenário de votações da Assembleia Legislativa. Esperamos que o sr. Antonio Wagner reveja urgentemente sua postura diante dos profissionais da imprensa para essa relação se manter sempre nos marcos da cordialidade.

Em defesa d@ jornalista!
(Direção do Sindjor MT
Biênio 2019/2020)
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