Médicos testam uso de hormônio feminino no tratamento da Covid-19

Dados de cerca de 1,5 milhão de testes realizados nos EUA até o dia 10 de abril mostram que a maioria das pessoas testadas, 56%, eram mulheres. Dessas mulheres, 16% deram positivo para o vírus. Por outro lado, apenas 44% dos testes foram feitos em homens e 23% deles tiveram resultados positivos.
"Há uma diferença marcante entre o número de homens e mulheres na unidade de terapia intensiva - e os homens estão claramente piorando", afirma a pneumologista Sara Ghandehari, que trabalha no hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, onde 75% dos pacientes que hoje dependem de respiração mecânica são homens.
Mulheres grávidas, que também fazem parte do grupo de risco, têm altos níveis de estrogênio e progesterona, e tendem a ter sintomas leves da doença. A progesterona em particular possui propriedades anti-inflamatórias e pode prevenir reações exageradas e prejudiciais do sistema imunológico. "Então algo sobre ser mulher é um fator de proteção, bem como algo sobre gravidez, o que nos faz pensar nos hormônios", explica Ghandehari, que está liderando a pesquisa.
Relatórios da China já indicavam que homens estavam morrendo em maior quantidade, mas na época a disparidade dos dados foi atribuída a taxas mais altas de fumantes. Mas os resultados foram consistentes em outros países como Itália e EUA - em Nova York, homens estavam morrendo com quase o dobro da taxa de mulheres.
Para alguns cientistas, diferenças biológicas na imunidade e fatores comportamentais estão em jogo. Os homens fumam mais em quase todos os lugares e lavam menos as mãos. Embora as mulheres pareçam ter sistemas imunológicos mais robustos, as causas para o agravamento da Covid-19 são complexas e multifatoriais, e os hormônios são apenas parte do quadro.
"Se esses hormônios sexuais fossem o principal fator de proteção para as mulheres, as mulheres idosas com Covid-19 se sairiam tão mal quanto os homens idosos, porque os hormônios reprodutivos femininos despencam após a menopausa", afirma a pesquisadora Sabra Klein, que estuda diferenças sexuais em infecções virais e vacinação na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.
"Vemos esse viés ao longo da vida", segue Klein. "Os homens mais velhos ainda são desproporcionalmente afetados, e isso sugere que deve ser algo genético, ou algo mais, que não seja apenas hormonal. O estrogênio tem propriedades imunomoduladoras e você pode obter um efeito benéfico em homens e mulheres", completa.
Fonte: olhardigital
